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Como proteger quando a justiça não ouve?

Pode a psicologia, através da escuta, do vínculo e da empatia, aproximar-se da justiça, quando o sistema jurídico falha em proteger?

Entre o que é decidido nos tribunais e o que se sente nos consultórios, há um espaço que quase ninguém nomeia, mas que muitas mulheres, crianças e jovens habitam em silêncio.

Este blog nasce desse intervalo. Um espaço onde a escuta clínica se encontra com a complexidade das decisões legais. Onde as histórias de quem sobrevive à violência, muitas vezes institucionalizada,  merecem ser pensadas com tempo, profundidade e cuidado.

Sou psicóloga, tenho trabalhado com crianças e mulheres que atravessaram relações marcadas pela violência doméstica, pela ausência de proteção e por sentenças que muitas vezes agravam o trauma. São histórias reais de crianças forçadas a conviver com pais agressores, de mães que são chamadas “alienadoras” por protegerem os filhos, de famílias que se reorganizam dentro de contextos que o sistema jurídico ainda não sabe escutar.

Neste espaço vou partilhar reflexões clínicas, desafios éticos, pensamentos sobre a proteção (ou ausência dela) das vítimas em contexto de separação, regulação das responsabilidades parentais e violência. Quero pensar convosco sobre o que significa cuidar, proteger, decidir. O que fica à margem da decisão legal?

Este não é um espaço de certezas. É um espaço de perguntas.
O que acontece às crianças quando a lei ignora o seu bem-estar mental e físico?
Como cuidar de uma mulher que viveu silenciada para sobreviver?
Como dialogar com um sistema onde muitas vezes a palavra da vítima continua a não bastar?

Se este tema te toca, como profissional, como mãe, como filho/a, como cidadão, espero que encontres aqui um lugar de escuta e pensamento crítico.

Obrigada por estares aqui.


Rita Vicente

Psicóloga Clínica especialista em Intervenção com Crianças e Jovens

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